25 agosto, 2010

0 1534-1536 - Um Doutor da Igreja – João Calvino



- Chamado e Início do Ministério -

Paris, Poitiers, Orleans, Estrasburgo, Basiléia, Itália - esses são os pontos principais no itinerário de Calvino durante esses dois anos ou mais. Ele mesmo se confessa "um tanto quanto inculto e retraído". Sua timidez fez com que ele buscasse "algum canto recluso" onde pudesse ter paz para estudar. Mas seus retiros transformaram-se "em escolas públicas" pois, "antes que houvesse pas¬sado um ano, todos os que tinham qualquer desejo por pura doutrina estavam continuamente vindo até mim para aprender, ainda que eu mesmo me sentisse como um mero noviço e um principiante".1 Sua permanência em Orleans deve ser conectada com a redação da sua primeira obra teológica, Psychopannychia - um livro contra um aspecto do ensino anabatista de então. O subtítulo explica isso. "Uma refutação do erro cometido por algumas pessoas despreparadas que ignorantemente imaginam que, no intervalo entre a morte e o julgamento, a alma entra em sono profundo, junto com uma explicação da condição e da vida da alma depois desta presente vida." O livro foi publicado posteriormente em 1542.

Em seu caminho para a Basiléia, aonde chegou em 1535, ele passou por Estrasburgo. Lá ele trabalhou em parcial reclusão, tendo publicado, em março de 1535, a primeira edição das Instituías da Religião Cristã. Tratava-se, então, de uma obra comparativamente curta de tamanho reduzido. A fé reformada estava, na França, sendo confundida tanto com os ensinos grosseiros dos anabatistas quanto com as doutrinas sediciosas e revolucionárias. Seus seguidores estavam sendo perseguidos indiscriminadamente, como se suas crenças devessem ser identificadas com esses "delírios perversos e falsas opiniões". Calvino queria, portanto, oferecer um relato justo disso. Ele introduziu seu livro com uma carta ao rei da França, apelando por justiça e clemência nos julgamentos. "Se o monarca tivesse lido essa carta", diz Beza, "eu estaria muito enganado se uma profunda ferida não tivesse sido infligida até mesmo à prostituta da Babilônia." A carta revela que o objetivo de Calvino em escrever era também pastoral. Ele havia encontrado muitos de seus compatriotas em vários lugares "famintos e sedentos por Cristo", ainda que completamente sem instrução alguma. Ele, portanto, ofe¬receu a eles um manual para ajudá-los a entender.

Na primavera de 1536, ele partiu novamente para suas viagens, dessa vez indo para a Itália sob o nome de Charles d'Espeville (um nome que ele freqüentemente usou em correspondências posteriores). Ele fez essa viagem para encontrar-se com Renée, a Duquesa de Ferrara, uma das filhas de Luís XII, que havia dado abrigo em sua corte para vários refugiados importantes da fé reformada. Calvino "confirmou-a em seu zelo pela verdadeira religião", diz Beza. Mais tarde ela procurou a ajuda e o conselho dele por meio de cartas. Na casa dela, o futuro reformador encontrou-se com Clement Marot, o poeta e escritor de hinos francês.

Há pouca dúvida de que, nessa época, a publicação das Instituías tivesse dado a ele uma certa reputação entre os reformadores, e que ele tivesse se lançado decisivamente na luta da Igreja ao lado deles. De fato, sua vida de trabalho dentro da Igreja já havia começado. Ele acreditava que, dos dois ofícios principais apontados por Cristo para um lugar permanente na Igreja, o mais próximo ao pastorado ou ao episcopado devia ser o de doutor - isto é, um professor de Teologia - que tinha a responsabilidade de manter a "sã doutrina" na Igreja em geral. Nessa época ele achava que estava cumprindo esse ofício, mesmo que a incerteza dos tempos não permitisse a ele gozar de uma ordenação regular para esse ministério.

Ronald Wallace


0 comentários:

Feeds Comments

Related Posts with Thumbnails