26 outubro, 2012
0 Prazer de Andar com Deus - John Flavel (1628-1691)
O prazer e o proveito
obtidos por contemplar o que Deus faz na providência.
Eu devo agora
apresentar-lhes o grande prazer de andar com Deus e ver de perto diariamente
Suas providências.
1. Desse modo podem
desfrutar de uma íntima comunhão diária com Deus
O Salmo 104 constitui
uma meditação sobre as obras da providência. O salmista diz: "A minha
meditação a seu respeito será suave" (versículo 34). A comunhão consiste
em duas coisas: Deus Se revelando à alma, e a alma respondendo a Deus. O efeito
dessa comunhão sobre nós é visto de quatro modos:
(i) Como no caso de
Jacó e outros santos do passado, nós somos levados a sentir que não merecemos
nem sequer a mínima das misericórdias de Deus e nem a verdade que Ele tem nos
manifestado. Somos levados a dizer: "Não sou digno da menor de todas as
tuas beneficências, e de toda a fidelidade que tens usado para com teu
servo" (Gênesis 32:10).
(ii) Nosso amor por
Deus é engrandecido quando nos lembramos de Suas misericórdias. Todo homem ama
as bênçãos de Deus, mas um santo ama o Deus das bênçãos.
(iii) Comunhão com
Deus, fruto de meditação nas Suas providências, faz com que a alma vigie
rigorosamente contra o pecado.
(iv) A comunhão nos
facilita obedecer e servir ao Senhor. Davi e Josafá também tiveram essa
experiência (Salmo 116:12; 11 Crônicas 17:5-6).
Assim, vemos quão
maravilhosa é a comunhão que uma alma pode ter com Deus através do estudo de
Suas providências. Oxalá vocês andassem dessa maneira com Ele! Quando tais
efeitos forem produzidos nos seus corações o Senhor dirá: "Os favores
pelos quais vocês foram beneficiados, não foram dados em vão!" Ele Se
alegrará em lhes fazer o bem, para sempre.
2. Grande parte do
prazer da vida cristã provém de contemplar o que Deus faz na providência.
"Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam
prazer" (Salmo 111:2)
(i) Vejam como
diferentes partes do caráter de Deus cooperam juntas na providência. Às vezes
parece que uma se opõe a outra, mas, no fim, elas se harmonizam. "A
misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram"
(Salmo 85:10). Essas palavras se referem a volta de Israel do cativeiro na Babilônia.
A verdade e a justiça de Deus contidas na promessa que Ele havia feito 70 anos
antes, pareciam distantes da experiência de graça e paz com que Israel agora se
deparava saindo do cativeiro! A promessa, feita tantos anos antes, e o
cumprimento setenta anos depois, são descritas como dois amigos que riem e se
beijam ao se encontrarem depois de longa ausência. Sempre que as promessas de
Deus e as coisas prometidas se encontram, elas são alegremente aceitas por
aqueles que crêem.
(ii) Vocês
freqüentemente vêem suas próprias orações e esperanças ressuscitando-se da
morte, por assim dizer, quando meditam nas obras da providência. Deus tarda em
responder nossas orações e nós dizemos: "Já pereceu a minha força, como
também a minha esperança no Senhor" (Lamentações 3:18). Por outro lado,
ficamos cheios de conforto quando essas orações são atendidas, posto que
havíamos perdido toda esperança de receber qualquer resposta a elas. As vidas
de Jó, Jacó e Davi mostram como às vezes eles perderam toda esperança de
sobreviver, mas após uma estranha e inesperada obra da providência, suas
esperanças e confortos retor naram e receberam "vida vinda da morte".
(iii) Que grandes
bênçãos a providência nos traz daquelas coisas que pensávamos capazes de nos
trazer ruína ou miséria. José jamais imaginou, ao ser vendido ao Egito, que
isso lhe traria algum benefício; todavia, ele viveu para ver um grande
propósito em tudo aquilo (Gênesis 45:5). Quantas vezes nós somos levados a
dizer como o salmista: "Foi-me bom ter sido afligido" (Salmo 119:71).
A princípio recebemos nossos problemas com lamentos e lágrimas, porém mais
tarde os contemplamos com alegria e louva mos a Deus por eles!
(iv) Que conforto
imenso é para uma pessoa — que só vê o pecado em sua vida — ver como Deus a tem
em alta estima. Enquanto a providência cuida dela, essa pessoa vê bondade e
misericórdia lhe acompanharem todos os dias de sua vida (Salmo 23:6). Outros
homens procuram o bem e este foge deles! Mas bondade e misericórdia seguem os
filhos de Deus e eles não podem evitar de serem seguidos, embora às vezes eles
pequem e saiam do caminho certo. Não há dúvida, o povo de Deus é Seu tesouro e
"ele não tira os olhos do justo" (Jó 36:7).
v. O que mais poderia
nos dar tanto conforto e alegria neste mundo como o conhecimento de quê tudo
que nos acontece ajuda-nos na caminhada para o céu? Apesar dos ventos e marés
da providência muitas vezes parecerem estar contra nós, nada é mais certo de
que eles estão nos trazendo mais perto de Deus e nos preparando para a glória.
3. Um estudo do que
Deus faz pela providência corrigirá .a incredulidade natural dos nossos
corações Há uma impiedade natural nos melhores corações, e essa é fortalecida
quando nós pensamos erroneamente sobre as obras da providência. Nós somos
tentados a dizer como Asafe, "Eis que estes são ímpios; e, todavia, estão
sempre em segurança, e se lhes aumentam as riquezas" (Salmo 73:12). Mas se
observarmos cuidadosamente o modo pelo qual Deus castiga homens ímpios, alguns
neste mundo, e todos eles no mundo vindouro, nossa fé será plena mente
confirmada. As providências que revelam a sabedoria, poder, amor e fidelidade
de Deus em guardar e livrar Seu povo de todos os perigos, tristezas e
dificuldades que lhe sobrevêm, são muito evidentes! O Senhor mostra-Se ao Seu
povo nessas coisas (Salmo 94:1). Pensem em suas próprias experiências e
perguntem-se quem supriu todas as suas necessidades nos tempos difíceis. Foi o
Senhor, não foi? "Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre do
seu concerto" (Salmo 111:5). Como é que vocês têm sobrevi vido a tantos
perigos, doenças e acidentes? Não há dúvida de que Deus estava nessas coisas, e
que somente pelo Seu cuidado têm sido preservados. A mão de Deus também é vista
claramente nas respostas às suas orações. "Busquei ao Senhor, e ele me
respondeu, livrou-me de todos os meus temores. Clamou este pobre, e o Senhor o
ouviu, e o salvou de todas as suas angústias" (Salmo 34:4-6). Porventura
não descobriram, também a mão de Deus guiando e dirigindo seus passos, de forma
que bênçãos nunca imaginadas lhes foram dadas? O povo de Deus Lhe é muito
querido. Ele executa todas as coisas para Seus filhos (Salmo 57:2).
4. Fazer anotações do
que a providência nos tem feito, será um apoio para a fé em tempos difíceis no
futuro
É muito mais fácil para
a fé percorrer uma vereda bem conhecida do que trilhar uma nova, onde não se
pode ver um passo à frente. Quando começamos a crer em Cristo, o mais difícil
era o exercer a fé, Todos os atos posteriores de fé se tornaram mais fáceis
devido nossas primeiras experiências. Quando nos sobrevêm uma série de
problemas, é um grande auxílio poder dizer: "não é a primeira vez que
passo por tais provações, mas sempre saí vitorioso". Quando os discípulos
se acharam desprovidos de pão, Cristo teve que lembrá-los dos milagres que Ele
já fizera anterior mente (Mateus 16:8-11). Ele chamou-os de homens de
"pouca fé" porque eles deveriam ter confiado em Deus, depois de terem
visto tanto do Seu poder no passado. Há duas maneiras pelas quais mostramos nossa
incredulidade: duvidamos do poder de Deus e duvidamos da Sua disposição para
nos ajudar. Os filhos de Israel julgaram que algumas coisas eram impossíveis
para Deus. "Poderá Deus porventura preparar-nos uma mesa no deserto?
Poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?" (Salmo
78:19-20). Visto que não entendemos o caminho pelo qual o auxílio possa vir,
achamos que nenhum pode ser esperado. Mas todos esses raciocínios da
incredulidade são superados se lembrarmos as nossas experiências anteriores. Deus
tem nos ajudado, portanto pode nos ajudar. Ele tem tanto poder e capacidade
agora quanto teve no passado.
A incredulidade sempre
questiona se Deus será tão bondoso agora quanto foi no passado. Davi e Paulo
raciocinaram baseados naquilo que Deus fez no passado, para afirmarem o que Ele
faria no presente (I Samuel 17:36; II Coríntios 1:10). Que dúvida pode haver,
após tantas provas da bondade de Deus no passado?
Talvez o incrédulo
pergunte: como pode uma criatura má e pecadora como eu, esperar que Deus faça
isso ou aquilo por mim? Você pode responder que a graça de Deus veio a mim
quando eu era pior do que sou agora; portanto esperarei que Sua bondade para
mim continue, embora eu não a mereça. "Porque se nós, sendo inimigos,
fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já
reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Romanos 5:10).
5. Lembrarmos de
providências passadas será uma motivação para louvor e agradecimento contínuos,
os quais são a tarefa dos anjos no céu, e a mais aprazível ocupação de nossas
vidas na terra
O salmista disse do
povo de Deus no passado: "Cedo, porém, se esqueceram das suas obras (Salmo
106:13). Apesar da providência os ter alimentado de maneira marcante no
deserto, eles não deram a Deus o devido louvor (Números 11:6). Mas Davi reuniu
todas as suas forças para louvar e agradecer a Deus pelas misericórdias
recebidas dEle. "Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo o que há em mim
bendiga o seu santo nome" (Salmo 103:1). Não é tanto as bênçãos que a
providência nos dá que faz uma pessoa grata ocupar-se em louvar a Deus, e sim a
graça e a bondade dEle em dá-las. Como Davi diz: "Porque a tua benignidade
é melhor do que a vida; os meus lábios te louvarão" (Salmo 63:3). Doar a
vida e preservá-la, são preciosos atos da providência; mas a graça que leva
Deus a fazer tudo isso é muito melhor do que os atos em si. Nós recebemos
bênçãos diariamente, e elas são um bom motivo para sermos gratos. "Bendito
seja o Senhor, que de dia em dia nos cumula de benefícios" (Salmo 68:19).
A ternura da graça de Deus é vista em Suas providências. "Como um pai se
compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem
(Salmo 103:13). Seus profundos sentimentos, demonstrados enquanto conforta o
Seu povo, são como os que uma mãe tem por seu filho (Isaías 49:15). Então,
prostrar-nos aos Seus pés em santo louvor pelo modo que Ele graciosamente Se
inclina ao nosso baixo plano nos Seus procedimentos, é uma coisa muito
agradável.
6. A observação
cuidadosa da providência fará com que Jesus Cristo Se torne mais e mais
precioso para as suas almas.
Através de Cristo a
bondade de Deus chega a nós, e todo louvor volta a Deus por nós. Toda as coisas
são nossas, porque nós somos dEle (I Coríntios 3:21-23).
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24 outubro, 2012
0 Entendimento espiritual – Richard Baxter (1615-1691)
Esforce-se para obter
um correto entendimento da natureza do Cristianismo, e do significado do
evangelho que visa salvá-lo.
Você é por natureza
escravo do Príncipe das Trevas, vive em um estado de trevas, pratica as obras
das trevas, e precipita-se para a mais completa escuridão; e é a luz do
conhecimento salvífico que pode recuperá-lo, ou não haverá recuperação. Deus é
'o Deus de luz, e habita na luz'; Cristo é 'a luz do mundo'; seus ministros são
também os ' luzeiros do mundo ' , desde que se submetam a Ele; e são enviados
para ' retirarem os homens das trevas para a luz, pelo evangelho que é a luz
para os nossos pés; e isto para fazer-nos filhos da luz, para que não mais
pratiquemos as obras das trevas, mas possamos ser participantes da herança dos
santos na luz '. Acredite nisto, as trevas não são o caminho para a glória
celestial.
A sua doença é a
ignorância espiritual, e o conhecimento espiritual precisa ser a sua cura. Eu
sei que os ignorantes espirituais têm muitas desculpas, e que pensam que o caso
deles não é assim tão ruim como queremos sugerir, achando que não há tal
necessidade de conhecimento, e que um homem pode ser salvo sem ele. Mas eles
pensam assim, exatamente porque carecem deste conhecimento, que lhes mostraria
a miséria da sua ignorância e o valor do conhecimento. Não diz a Escritura
claramente que, 'se o evangelho está encoberto, é para os que se perdem que
está, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para
que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem
de Deus' ( 2 Cor 4:3,4)?
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28 maio, 2012
0 Por que Deus se deleita em ser louvado? – Jonathan Edwards (1703-1758)
Se louvar a Deus é algo
excelente, Deus estaria errado em não se deleitar com o louvor
Se a excelência e a
glória de Deus são dignas de ser altamente estimadas e desfrutadas por ele, a
estima de tais atributos por outros é digna de sua deferência, uma vez que se
trata de uma consequência necessária.
A fim de deixar isso
claro, devemos considerar o que acontece no caso da deferência para com as
qualidades excelentes de outrem. Se temos em alta estima as virtudes e
excelências de um amigo, devemos, na mesma medida, aprovar a estima de outros
por ele e desaprovar o desprezo de outros por ele. Se essas virtudes são
verdadeiramente preciosas, também são dignas de que aprovemos a estima de
outros e desaprovemos o desprezo de outros.
O mesmo se aplica às
próprias qualidades e aos próprios atributos de qualquer ser. Se ele os tem em
alta estima e se deleita grandemente neles terá, natural e necessariamente,
grande prazer em vê-los ser estimados por outros e grande desprazer em vê-los
ser desprezados por outros. E, se os atributos são dignos da mais alta estima
pelo ser que os possui, a estima desses atributos por outros também é digna de
aprovação e respeito proporcionais.
Desejo que levemos em
consideração se é inapropriado Deus se desagradar do desprezo de outros para
com ele. Em caso negativo, sendo antes conveniente e apropriado que ele se
desagrade do desprezo, os mesmos motivos justificam que ele se agrade com a
estima, a honra e o amor verdadeiro para com ele.
Também poderíamos
esclarecer a questão considerando o que é adequado aprovar e estimar em
qualquer sociedade pública à qual pertencemos; por exemplo, o nosso país.
Convém amar o nosso país e, portanto, estimar a sua honra legítima. Então,
assim como convém estimar e desejar para um amigo e assim como convém desejar e
buscar para uma comunidade, também convém a Deus estimar e buscar para si
mesmo; ou seja, tomemos por base a suposição de que convém a Deus amar-se do
mesmo modo como convém aos homens amar um amigo ou uma sociedade.
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21 maio, 2012
0 Desde a eternidade Deus tem um plano imutável – A. A. Hodge (1823-1886)
Como Criador e Governador
infinitamente inteligente e providente, Deus certamente teve um propósito
definido com referência à existência e destino de tudo quanto criou,
compreendendo em um só sistema todo-perfeito seu fim principal nesse particular
e todos os fins e meios subordinados em referência a esse fim principal. E já
que ele é um Ser eterno e imutável, seu plano certamente existiu em todos os
seus elementos, perfeito e imutável, desde a eternidade. Visto ser Deus uma
Pessoa infinita, eterna, imutável e absolutamente sábia, poderosa e soberana,
certamente que seu propósito participa dos atributos essenciais de seu próprio
ser. E visto que a inteligência de Deus é absolutamente perfeita e seu plano
eterno; visto que seu fim último é revelado como que almejando unicamente sua
própria glória, e toda a obra da criação e da providência é observada como a
formar um sistema único, segue-se que seu plano é também único — uma intenção
todo-compreensiva, provida de todos os meios e condições, bem como dos fins
predestinados.
O plano de Deus compreende e
determina todas as coisas e eventos de todo gênero que venham suceder.
Isso se faz infalível à luz do
fato de que todas as obras de Deus, da criação e da providência, se constituem
num sistema.
Nenhum evento é isolado, quer
no mundo físico quer no mundo moral, quer no céu quer na terra. Todas as
revelações super-naturais de Deus, e cada avanço da ciência humana, corroboram
para tornar esta verdade conspicuamente luminosa. Daí a intenção original que
determina um evento deve também determinar todos os outros eventos relacionados
a ela, como causa, condição, ou conseqüente, direto e indireto, imediato ou
remoto. Por isso, o plano que determina os fins gerais deve também determinar
até mesmo o elemento mais minúsculo compreendido no sistema do qual esses fins
são partes. As ações livres de agentes livres constituem um elemento
eminentemente importante e efetivo no sistema de coisas. Se o plano de Deus não
determinou eventos dessa classe, ele não poderia ter feito nada certo, e seu
governo do mundo seria feito contingente e dependente, e todos os seus
propósitos, falíveis e mutáveis.
As Escrituras expressamente
declaram essa verdade:
a. De todo o sistema em geral. Ele
"opera todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade". Ef
1.11.
b. Dos eventos fortuitos. Pv 16.33; Mt
10.29,30.
c. Das livres ações dos homens. "Como
ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a
todo o seu querer." Pv 21.1. "Porque somos feitura sua, criados em
Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que
andássemos nelas." Ef 2.10. "Porque Deus é quem opera em vós tanto o
querer como o efetuar, segundo sua boa vontade." Fp 2.13.
d. Das ações pecaminosas dos homens. "A
este que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus,
prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos." At 2.23.
"Porque verdadeiramente contra o teu Santo Filho Jesus, que tu ungiste, se
juntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de
Israel; para fazerem tudo o que tua mão e teu conselho tinham anteriormente
determinado que se havia de fazer." At 4.27-28. Compare-se Gn 37.28 com Gn
45.7-8; Is 10.5.
Deve lembrar-se, contudo, que o
propósito de Deus com respeito aos atos pecaminosos dos homens e anjos
réprobos, em nenhum aspecto causa o mal nem o aprova, mas apenas permite que o
agente mau o realize, e então o administra para seus próprios sapientíssimos e
santíssimos fins. O mesmo decreto infinitamente perfeito e autoconsistente
ordena a lei moral que proíbe e condena todo o pecado, e ao mesmo tempo permite
sua ocorrência, limitando e determinando o canal preciso ao qual ele se
confinará, o fim preciso ao qual se dirigirá e governando suas conseqüências
para o bem. "Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou
para o bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com
vida." Gn 50.20.
Esse propósito
todo-compreensivo não é condicional, nem no todo nem em qualquer de seus
elementos constituintes. Em nenhum aspecto sua presciência depende de eventos
não compreendidos em e determinados por seu propósito. Ele é absolutamente
soberano, dependendo somente do "sábio e santo conselho de sua própria
vontade".
Uma distinção bastante óbvia
deve sempre ser mantida em mente entre um evento ser condicionado a outros
eventos, e o decreto de Deus, com referência a esse evento, ser condicionado.
Os calvinistas crêem, como todos os homens deveriam, que todos os eventos no
sistema de coisas dependem de suas causas e são pendentes de condições. Isto é,
se um homem não semeou, também não colherá; se semeou, e todas as influências
climáticas favoráveis agem, ele colherá. Se um homem crê, ele será salvo; se
não crê, também não será salvo. Mas o propósito todo-compreensivo de Deus
abarca e determina a causa e as condições, tanto quanto o evento interrompido
nelas. O decreto, em vez de alterar, determina a natureza dos eventos e suas
relações mútuas. Ele faz as ações livres, livres em relação aos seus agentes; e
os eventos contingentes, contingentes em relação às suas condições. Enquanto
que, ao mesmo tempo, ele faz todo o sistema de eventos, e muitos elementos
envolvidos nele, infalivelmente futuros. Decreto absoluto é aquele que,
enquanto pode determinar muitos eventos condicio-nais, determinando suas
condições, ele mesmo não é interrompido em nenhuma condição. Decreto
condicional é aquele que determina que certo evento acontecerá sob a condição
que algum outro evento não decretado aconteça, a que evento não decretado o
próprio decreto, tanto quanto o evento decretado, se acha pendente.
Os decretos de Deus são
incondicionais.
Todos quantos crêem num governo
divino concordam com os calvinistas em que os decretos de Deus relativos aos
eventos produzidos por causas necessárias são incondicionais. O único debate se
relaciona aos decretos que são concernentes às livres ações dos homens e dos
anjos. Os socinianos e racionalistas mantêm que Deus não pode infalivelmente
prever as livres ações, porque à luz de sua própria natureza elas são incertas
até que sejam realizadas. Os arminianos admitem que ele infalivelmente as
prevê, mas negam que ele as determine. Os calvinistas afirmam que ele as prevê
como infalivelmente futuras, porque ele determinou que elas assim o fossem.
A veracidade do ponto de vista
calvinista prova-se:
À luz do fato de que, como
demonstrado supra, os decretos de Deus determinam todas as classes de eventos.
Se cada evento que vem a lume é preordenado, é evidente que não há nada
indeterminado sobre o qual o decreto pudesse ser condicionado.
Porque os decretos de Deus são
soberanos. Isso é evidente — (a) Porque Deus é o eterno e absoluto Criador de
todas as coisas. Todas as criaturas existem, e são o que são, e possuem as
propriedades peculiares a elas, e agem sob as próprias condições em que agem,
em obediência ao plano divino, (b) É diretamente afirmado na Escritura. Dn
4.35; Is 40.13-14; Rm 9.15-18; Ef 1.5.
O decreto de Deus inclui e
determina os meios e condições dos quais os eventos dependem, tanto quanto dos
eventos propriamente ditos: "Como também nos elegeu nele antes da fundação
do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis." Ef 1.4.
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é o
dom de Deus." Ef 2.8. "Deus desde o princípio vos elegeu para a
salvação, pela santificação do Espírito e fé da verdade." 2 Ts 2.13. No
caso do naufrágio de Paulo, Deus primeiramente prometeu a Paulo que
absolutamente nenhuma vida se perderia. At 27.24. Paulo, porém, disse, no
versículo 31: "Se estes não ficarem no navio, não podereis
salvar-vos."
As Escrituras declaram que a
salvação de indivíduos está condicionada ao ato pessoal de fé, e ao mesmo tempo
que o decreto de Deus com respeito à salvação dos indivíduos repousa tão-só em
"o conselho de sua própria vontade", "seu próprio
beneplácito". "Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito
bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não
por causa das obras, mas por aquele que chama)." Rm 9.11. "Sendo
predestinados segundo o propósito daquele que opera todas as coisas segundo o
conselho de sua própria vontade." Ef 1.11; 1.5; Mt 11.25-26.
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02 maio, 2012
0 Enfraquecimento da raiz do desejo mau – John Owen (1616-1683)
1.
Um enfraquecimento habitual do mau desejo
Toda
lascívia (desejo mau) é um hábito depravado, que continuamente inclina o
coração para o mal. Em Gênesis 6:5, temos uma descrição de um coração no qual o
pecado não foi mortificado: "era continuamente mau todo desígnio do seu
coração". Em todo homem não convertido, há um coração que não foi
mortificado e que está cheio de uma variedade de desejos ímpios, e cada um
desses desejos está continuamente clamando por satisfação.
Concentrar-nos-emos
apenas na mortificação de um desses desejos. Este desejo (pense no pecado que
mais lhe atrai) é uma disposição forte, habitual, e profundamente enraizada,
que inclina a vontade e os sentimentos para certo pecado em particular. Uma das
grandes evidências de tal desejo mau é a tendência para se pensar nas diversas
maneiras de gratificá-lo (veja Rom. 13:14). Este hábito pecaminoso (ou seja, a
lascívia ou desejo mau) opera violentamente. "Fazem guerra contra a
alma" (1 Ped. 2:11) e buscam tornar a pessoa um "prisioneiro da lei
do pecado" (Rom. 7:23). Ora, a primeira coisa que a mortificação efetua é
o enfraquecimento deste desejo mau, de modo que se torna cada vez menos
violento nos seus esforços para provocar e seduzir a pecar (veja Tiago
1:14,15).
A
esta altura, é preciso que se faça uma advertência. Todos os desejos maus têm o
poder de seduzir e provocar alguém a pecar, porém parece que não têm, todos
eles, o mesmo poder. Há pelo menos duas razões pelas quais alguns desejos maus
parecem ser muito mais fortes do que outros:
a) Um desejo mau pode ser mais forte do que
outros na mesma pessoa e também mais forte do que o desejo numa outra pessoa.
Há muitas maneiras pelas quais este poder e vida extras são dados, mas
especialmente isso ocorre por meio da tentação.
b) A ação violenta de alguns desejos maus é
mais óbvia do que a de outros. Paulo sublinha uma diferença entre impureza e todos
os outros pecados. "Fugi da impureza! Qualquer outro pecado que uma pessoa
cometer, é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o
próprio corpo" (1 Cor. 6:18). Isso significa que pecados dessa natureza
são mais facilmente discerníveis do que outros. Contudo, uma pessoa com um amor
desordenado pelo mundo pode estar debaixo do poder desse desejo mau (embora
esse poder não seja tão óbvio) tanto quanto outro homem que é cativado por um
desejo mau ou por uma imoralidade sexual.
A
primeira coisa, então, que a mortificação efetua é um enfraquecimento gradual
dos atos violentos do desejo mau, de modo que seu poder para impelir,
despertar, perturbar e deixar a alma perplexa seja diminuído. Isso é chamado de
crucificar "a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gál.
5:24). Esta linguagem é muito gráfica, como se pode ver na seguinte ilustração:
Pense
num homem pregado numa cruz. A princípio o homem se esforçará, lutará e clamará
com grande intensidade e poder. Depois de certo tempo, à medida em que vai
perdendo sangue, seus esforços se tornam fracos e seus gritos baixos e roucos.
Da mesma maneira, quando um homem se propõe a cumprir seu dever de mortificar o
pecado, há uma luta violenta; todavia à medida em que a força e a energia do desejo
mau se esvai, seus esforços e gritos diminuem. A mortificação radical e inicial
do pecado é descrita em Romanos, capítulo 6, e especialmente no versículo 6:
"Sabendo
isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem" - para qual
propósito? ~ "para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos ao
pecado como escravos".
Sem
esta mortificação inicial e radical, realizada mediante união com Jesus Cristo,
como descrita em Romanos, capítulo 6 (no próximo capítulo diremos mais sobre
isto), uma pessoa não pode fazer progresso na mortificação de um único desejo
mau. Uma pessoa pode dar pauladas no mau fruto de uma árvore má até ficar
esgotada, porém enquanto a raiz permanecer forte e vigorosa nenhum grau de
espancamento impedirá que a raiz produza mais frutos maus. Esta é a tolice que
muitas pessoas praticam quando se dispõem com todo fervor a quebrar o poder de
qualquer pecado em particular, sem realmente atacar e ferir a raiz do pecado
(como acontece quando um cristão é unido a Jesus Cristo).
2.
Uma contenda e uma luta constante contra o pecado
Quando
o pecado é forte e vigoroso, a alma não consegue fazer grande progresso
espiritual. A não ser que constante-mente lutemos contra o pecado, ele crescerá
forte e vigorosa-mente, e nosso progresso espiritual será constantemente
impedido. Há três coisas importantes no contendermos com o pecado. São as
seguintes:
a) Precisamos conhecer nosso inimigo e estar
determinados a destruí-lo por todos os meios possíveis. Temos que lembrar que
estamos num conflito acirrado e árduo, um conflito que tem sérias
consequências. Precisamos estar alertas "conhecendo cada um a chaga do seu
coração" (1 Reis 8:38). Precisamos guardar-nos de pensar levianamente
nessa chaga. E de se lamentar que muitos tenham tão pouco conhecimento do
grande inimigo que levam com eles nos seus corações. Isso os torna dispostos a
se justificarem e a ficarem impacientes com qualquer reprovação ou admoestação,
não se apercebendo de que estão correndo perigo (veja 2 Cron. 16:10).
b) Precisamos nos esforçar para aprender os
modos de agir de nosso inimigo, suas estratégias e os métodos de combate que
ele emprega, as vantagens que ele procura obter e, até mesmo, detectar as
ocasiões quando o seu ataque é mais bem sucedido. Quanto mais soubermos estas
coisas, melhor estaremos preparados para lutar e contender com o pecado. Por
exemplo: se observarmos que o inimigo repetidamente se aproveita de nós, e leva
vantagem, em determinada situação, então procuraremos evitar essa situação.
Precisamos buscar a sabedoria do Espírito contra as ciladas do pecado que
habita em nós, para que possamos rapidamente discernir as sutilezas do nosso
inimigo e frustrar seus planos maus contra nós.
c)
Precisamos empenhar-nos diariamente para utilizar todos os meios que Deus
ordenou para ferir e destruir o nosso inimigo (alguns desses serão mencionados
mais adiante). Jamais devemos permitir que sejamos conduzidos a uma falsa
segurança, pensando que nossos desejos pecaminosos já estão mortos devido
estarem quietos. Em vez disso precisamos aplicar-lhes novos golpes e surras
todos os dias (vejaCol. 3:5).
3.
Sucesso na nossa oposição e no nosso conflito com o pecado que habita em nós.
Quando há frequente sucesso contra qualquer desejo mau, isso é uma outra
evidência da mortificação do pecado. Por sucesso queremos significar uma
vitória sobre ele, acompanhada da intenção de dar sequência a essa vitória e
atacar novamente. Por exemplo: quando o coração detecta as ações do pecado que
habita em nós (procurando nos seduzir, nos atiçar, influenciar nossa
imaginação, etc) ele imediatamente ataca o pecado, o expõe à lei de Deus e ao
amor de Cristo; ele o condena e o executa.
Quando
uma pessoa experimenta tal sucesso e sabe que a raiz do desejo mau foi, na
verdade, enfraquecida, e que sua atividade foi contida de modo que não pode
mais impedi-lo de cumprir o seu dever ou interromper sua paz como acontecia
antes, então o pecado foi, em considerável medida, mortificado.
Este
enfraquecimento da raiz do desejo mau é realizada principalmente pela
implantação, continuidade e cultivo constante da vida espiritual da graça, que
se coloca em oposição direta ao desejo mau, e lhe é destruidora (compare com o
capítulo 4, pág. 110, item 2). Desse modo, pela implantação e pelo crescimento
da humildade, o orgulho será enfraquecido. Da mesma maneira, a paciência
tratará da paixão; a pureza da mente e da consciência cuidará da impureza; a
mente celestial porá fim ao amor deste mundo, e assim por diante.
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18 abril, 2012
0 Santidade - Objetivo todo-abrangente na vida de John Owen
O que gostaria de fazer agora é
tentar me aproximar do cerne daquilo que fez este homem notável e daquilo que o
fez grande. Acredito que o Senhor quer que sejamos inspirados por este homem de
uma profunda forma pessoal e espiritual. Parece que esta é a forma que ele
tocou tanto as pessoas – como J.I. Packer e Sinclair Ferguson.
Acredito que as palavras dele
que nos trazem mais próximos do coração e do objetivo de sua vida são encontradas
no prefácio do pequeno livro A Mortificação do Pecado nos Crentes, que foi
baseado nos sermões pregados aos estudantes e à comunidade acadêmica em Oxford:
Espero que eu possa possuir em
sinceridade que o meu desejo de coração para com Deus, e o principal desígnio
de minha vida.... é, que a mortificação e a santidade universal possam ser
promovidas no meu e nos corações e caminhos dos outros, para a glória de Deus,
a fim de que o Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo possa ser
adornado em todas as coisas.
Isto foi em 1656. Owen tinha 40
anos de idade. Vinte e cinco anos depois ele ainda estava tocando a mesma nota
em suas pregações e escritos. Em 1681, ele publicou The Grace and Duty of Being
Spiritually Minded [A Graça e o Dever de Ser Espiritualmente Orientado].
Sinclair Ferguson está
provavelmente correto quando diz “Tudo que ele escreveu a seus contemporâneos
têm um objetivo prático e pastoral em vista – a promoção da verdadeira vida
cristã”– em outras palavras, a mortificação do pecado e o avanço da santidade.
Este foi seu encargo não
somente para as igrejas, mas também para a Universidade, quando estava lá.
Peter Toon diz: “A ênfase especial de Owen era insistir que o inteiro currículo
acadêmico deveria ser imerso em pregação, catecismo e oração. Ele queria que os
graduados de Oxford não somente fossem proficientes em Artes e Ciências, mas
que também aspirassem à piedade.”
Mesmo em suas mensagens
políticas – os sermões ao Parlamento – o tema era repetidamente santidade. Ele
baseou isto na linha de pensamento do Antigo Testamento – que “o povo de Israel
estava nas melhores condições quando seus líderes eram piedosos.”
Portanto, o ponto principal
dele era que o legislativo deveria ser composto por pessoas santas. Sua
preocupação de que o Evangelho se espalhasse e fosse adornado com santidade não
era apenas um encargo para sua terra natal, a Inglaterra. Quando ele voltou para
a Irlanda em 1650, onde viu as forças inglesas, sob as ordens de Cromwell,
dizimar a Irlanda, ele pregou no Parlamento e clamou por outro tipo de guerra:
“Como Jesus Cristo pode estar
na Irlanda apenas como um leão que mancha suas vestes com o sangue dos seus
inimigos; e ninguém o sustenta como um Cordeiro que derramou Seu próprio sangue
por seus amigos?... Isto é lidar corretamente com o Senhor Jesus? – chamá-lo
para a batalha e tirar-lhe a coroa? Deus foi fiel convosco ao fazer grandes
coisas por vocês; sejam fiéis nisto – dêem o seu máximo pela pregação do
Evangelho na Irlanda”.
De seus próprios escritos, e do
testemunho de outros, parece justo dizer que o objetivo da santidade pessoal em
toda a vida, e a mortificação de todo pecado conhecido, foi o trabalho não
somente de seus ensinamentos, mas de sua própria vida pessoal também.
David Clarkson, seu associado
pastoral nos anos finais do ministério de Owen, dirigiu o seu funeral. Nele,
ele disse: Uma grande luz se apagou; uma de eminência pela santidade,
conhecimento, qualidades e habilidades; um pastor, um erudito, um santo de
primeira magnitude; a santidade deu um resplender divino às suas outras
realizações, ela brilhou em todo o seu curso, e foi difundida através de toda a
sua conversação.
John Stoughton disse que “Sua
piedade igualou-se a sua erudição”. Thomans Chalmers da Escócia comenta em On
Nature, Power, Deceit, and Prevalence of Indwelling Sin in Believers [Sobre a
Natureza, Poder, Engano e Prevalência do Pecado Interior nos Crentes]: “É mais
importante ser instruído neste assunto por alguém que alcançou tais patamares
em santidade, e cujo conhecimento profundo e experimental da vida espiritual o
capacitou tão bem a detalhar sua natureza e operações”.
John Piper
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11 abril, 2012
0 Tristeza segundo Deus - João Calvino
-
Arrependimento verdadeiro –
2Co 7.9-11
9. Não porque fostes entristecidos.
O que Paulo está dizendo é que ele não se deleitava no sofrimento dos
coríntios, e se lhe fosse dado escolher, tentaria, ao mesmo tempo, promover o
seu bem-estar e a sua felicidade; porém, visto que lhe falta alternativa, o seu
bem-estar lhe era de pouca importância, visto que ele se alegrava no fato de
que fostes entristecidos para arrependimento. Há médicos que são amáveis e
leais, porém, em certas ocasiões, têm de portar-se com severidade, e até mesmo
com crueldade, com seus clientes. Paulo diz que não é homem de empregar remédios
dolorosos, a não ser que seja necessário. Mas, visto que sua experiência com a
cura por meios rudes provou ser bem sucedida, então ele se congratula com tal
expediente. Eleja usou uma forma muito semelhante de expressão em 5.4:
"Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados,
não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido
pela vida."
10. Tristeza de Deus.
A fim de entendermos o que significa "tristeza de, ou segundo Deus",
precisamos observar como Paulo contrasta isto com o seu oposto — "a
tristeza do mundo". Devemos considerar também o mesmo contraste entre duas
espécies de alegria. Há a alegria do mundo, na qual os homens, em seus
desatinos e sem qualquer reverência para com Deus, se deleitam nas coisas ilusórias
deste mundo e se embriagam com os seus deleites transitórios, de tal maneira
que de nada mais cuidam senão das coisas terrenas. Por outro lado, há a alegria
segundo Deus, alegria esta na qual os homens buscam em Deus toda a sua
felicidade, se deleitam em sua graça; e ao menosprezarem o mundo, realçam o
fato de que ao desfrutarem das prosperidades terrenas é como se delas não desfrutassem,
e mesmo na adversidade têm o seu coração iluminado. Da mesma forma, a tristeza
deste mundo existe quando o coração humano se perturba em meio às aflições
terrenas e é submerso em pranto; mas a tristeza segundo Deus existe quando os
homens elevam seus olhos para Deus e consideram que a sua miséria consiste em
serem eles privados da graça divina, e, temendo o seu juízo, choram seus
pecados. Paulo afirma que este tipo de tristeza é a causa e a origem do
arrependimento. Isto precisa ser cuidadosamente observado porque, a menos que o
pecador se aborreça de si mesmo, de tal modo que odeie sua própria vida e, em
profunda tristeza, confesse seu pecado, ele jamais se converterá ao Senhor. Mas
uma pessoa não pode sentir este tipo de tristeza sem que experimente uma
mudança de coração. Assim, o arrependimento tem início com a tristeza, porque,
como já disse, ninguém pode tomar o caminho certo sem que primeiro odeie seu
pecado, e onde não existe ódio ao pecado também não pode haver
auto-recriminação e tristeza. Paulo nos apresenta uma belíssima descrição de
arrependimento quando diz que esse arrependimento não traz nenhum pesar.
Porque, por mais amargo possa ele ser no primeiro teste, os resultados
benéficos que fluem dele o fazem desejável. A frase pode ser tomada como
referindo-se à salvação antes que ao arrependimento; porém, em minha opinião,
ela se ajusta melhor ao arrependimento, como se dissesse: "O resultado
final nos ensina que esse tipo de tristeza não nos deve ser penoso nem
humilhante, porque, por mais amargo que seja o arrependimento que nos domine,
ele é denominado como sendo algo que não nos traz nenhum pesar, em virtude do
precioso e agradável fruto que ele produz.
Para a salvação. Paulo
parece estar fazendo do arrependimento a causa da salvação; e se assim fosse,
seguir-se-ia que somos justificados pelas obras. A minha resposta é que devemos
notar bem o ponto específico que Paulo discute aqui. Ele não se preocupa com a
causa da salvação, e, sim, apenas recomenda o arrependimento para realçar o
fruto que ele produz e para compará-lo ao caminho que conduz à salvação. E
assim o é, Cristo, deveras, nos chama por sua livre graça, porém nos chama para
o arrependimento; e Deus perdoa os nossos pecados gratuitamente, mas somente
quando os renunciamos. Deus opera em nós ambas as coisas, concomitantemente, de
modo que somos tanto renovados por meio do arrependimento e libertados da
escravidão do pecado, como também somos justificados por meio da fé e
libertados da maldição que o pecado gera. Estes são os inseparáveis dons da
graça, e em razão dos invariáveis laços que existem entre eles, o arrependimento
pode correta e adequadamente ser chamado o início do caminho que conduz à
salvação, porém mais como acompanhamento do que como causa. Este argumento não
é uma evasiva sutil, mas uma simples explicação da dificuldade, pois enquanto a
Escritura ensina que jamais obtemos o perdão de nossos pecados sem o
arrependimento, concomitantemente ensina, em muitos lugares, que a única base
de nosso perdão é a misericórdia divina.
11.
Quanto cuidado não produziu em vós. Não entrarei em
disputa alguma sobre se o que Paulo enumera aqui são os efeitos ou se são
partes do arrependimento, ou se são preparativos para ele, já que podemos
entender o pensamento de Paulo sem tomar esse caminho. Ele está simplesmente
atestando o arrependimento dos coríntios pelos sinais exteriores que o seguem.
Ele faz da "tristeza segundo Deus" o primeiro destes sinais dos quais
o restante emana, e na verdade isto é assim, pois tão logo começamos a ficar
insatisfeitos conosco mesmos, somos incitados a buscar todo o restante. O que
'tanto cuidado' significa podemos entender com-parando-o com o seu oposto.
Enquanto não houver reconhecimento do pecado, permanecemos modorrentos e
inativos. E esta modorra, ou displicência, ou indiferença é o oposto deste
'quanto cuidado', de modo que um desejo ardente e ativo passa a corrigir o que
fora pecaminoso e a emendar nossa vida.
Que
justificativa. Porque Erasmo traduziu esta frase por
'satisfação', comentaristas inexperientes, enganados pela ambiguidade desta
palavra, a têm aplicado às satisfações papais, enquanto que, na verdade, o
termo em grego, usado por Paulo, significa 'defesa'. Esta é a razão por que preferi
seguir a Vulgata e conservar a palavra defensio, em latim, porém devemos
observar que este é um tipo de defesa que tem mais a ver com a busca do perdão
do que com a refutação de acusações. É semelhante a um filho que, desejando
justificar-se diante de seu pai, não inicia com uma súplica advocatícia de sua
causa, senão que reconhece sua culpa e se desculpa com um humilde pedido em
lugar de confiantes protestos. Os hipócritas também se desculpam e
orgulhosamente se defendem, porém mais com o intuito de ter um debate legal com
Deus do que retornar ao seu favor. Se o termo 'escusa' é mais aceitável a
alguém, não faço nenhuma objeção, desde que não faça nenhuma diferença ao
significado, o qual aponta para o fato de que os coríntios estavam agora
prontos a justificar-se, considerando que antes não tiveram cuidado com a
opinião que Paulo pudesse ter deles.
Que
indignação. Isto também coaduna-se com a tristeza santa, de
maneira tal que o pecador se arde em ira contra suas faltas e ainda contra si
mesmo, da mesma forma que aqueles que são zelosos pelo bem e pela divindade, e
se iram quando percebem que Deus foi ofendido. Este sentimento é ainda mais
intenso que a tristeza. O primeiro passo consiste no fato de que o mal nos traz
desprazer, enquanto que o segundo consiste no fato de que devemos despertar a
nossa indignação ao tratarmos severamente conosco mesmos e ter a nossa
consciência sensibilizada. Isto pode, também, ser considerado como que
significando a indignação dos coríntios contra as faltas do homem ou do pequeno
grupo que antes tinham poupado, de modo que se sentiam arrependidos de sua
aquiescência e conivência em seus pecados.
Temor vem da percepção
do juízo divino, quando o pecador pondera: "Lembra-te de que deves atender
a uma intimação, e que defesa apresentarás diante do juiz?'. Alarmado por tais
pensamentos, ele tremerá de medo; porém, visto que os ímpios são às vezes
afetados por semelhante temor, Paulo adiciona saudade, que é de natureza mais
voluntária do que temor. Às vezes somos atemorizados contra a nossa vontade,
porém jamais desejamos algo senão por nossa própria inclinação. Portanto,
enquanto que, pela advertência de Paulo, tiveram medo da punição, também agora
estavam ansiosamente saudosos pela correção. Porém, o que significa saudade!
Não há dúvida de que Paulo a introduziu no clímax desta lista, de modo que deve
significar mais do que intensa preocupação. O termo pode ser considerado com a
implicação de que estavam incitando uns aos outros à rivalidade mútua, porém é
mais simples entendê-lo no sentido de que cada um se esforçava com grande e
fervoroso zelo para dar mostras de seu arrependimento. Portanto, saudade é o
intenso esforço do desejo.
Que
punição. O que foi dito sobre indignação pode aplicar-se
também a 'punição', pois a maldade que uma vez estimularam por meio de sua
conivência e indulgência, mais tarde se mostraram rigorosos consigo mesmos na
punição. Por algum tempo, foram tolerantes com o incestuoso, porém, após as
advertências de Paulo, não só cessaram de favorecê-lo, como também se fizeram
juízes severos no julgamento, e esta foi a sua 'punição'. Mas, visto que
devemos castigar os pecados em qualquer parte onde forem encontrados, e é
preciso que antes comecemos por nós mesmos, há uma aplicação mais ampla do que
o apóstolo está dizendo aqui. Ele está falando dos sinais de arrependimento, e
entre os quais há este sinal especial, por meio do qual nós, ao punirmos os
pecados, de certa forma antecipamos o próprio juízo de Deus, como ele ensina
alhures: "Se julgássemos anos mesmos, não seríamos julgados pelo
Senhor" (1 Co 11.31). Não se deve inferir disto que, pela autopunição, os
homens podem compensar a Deus pelas faltas cometidas contra ele, de modo a livrarem-se
de Suas mãos. A verdade da questão é que é plano de Deus disciplinar-nos a fim
de que nos despertemos de nossa indiferença, de modo que, nos lembrando de Sua
ira, possamos ser mais precavidos no futuro. Assim, quando o pecador primeiro
se pune voluntariamente, não há necessidade desse tipo de admoestação da parte
de Deus.
Pode-se perguntar se os
coríntios estavam assumindo esta punição, esta saudade, este desejo etc, por
causa de Paulo ou por causa de Deus. Respondo que todas estas coisas são os
acompanhantes invariáveis do arrependimento, mas que há diferença entre pecado
secreto, visto só por Deus, e pecado público, visto por todos os homens. Se se
trata de pecado secreto, então o arrependimento diante de Deus é suficiente;
porém, se o pecado é público, exige-se também uma manifestação publica de
arrependimento. Desta forma, os coríntios, que tinham pecado publicamente e
ofendido grandemente a homens de bem, tinham de demonstrar estes sinais
publicamente como testemunho de seu arrependimento.
14 março, 2012
0 Paradoxo, Mistério e Contradição - R. C. Sproul
Mt 13.11; Mt
16.25; Rm 16.25-27; 1Co 2.7; 1Co 14.33
A
influência de vários movimentos em nossa cultura, tais como a Nova Era, as
religiões orientais e a filosofia irracional tem provocado uma crise no
entendimento. Um nova forma de misticismos tem surgido, a qual exalta o absurdo
como a marca registrada da verdade religiosa. Lembremo-nos da máxima do Zen
Budismo, de que "Deus pe uma mão batendo palmas" como uma ilustração
desse padrão.
Dizer
que Deus é uma mão batendo palmas tem uma ressonância profunda. Tal afirmação
confunde a mente consciente, pois é um golpe nos padrões normais de
pensamentos. Soa "profundo" e intrigante, até analisarmos
cuidadosamente e descobrimos que a raiz é simplesmente destituída de sentido.
A
irracionalidade é um tipo de caos mental. Fundamenta-se na confusão que se opõe
ao Autor de toda a verdade, o que não é de forma alguma outor de confusão.
O
cristianismo bíblico é vulnerável a tais correntes de irracionalidade exaltada,
porque irracionalidade admite condidamente que existem muitos paradoxos e
mistérios na própria Bíblia. Existem linhas que separam o paradoxo, o mistério
e a contradição; embora sejam tênues, essas linhas divisórias são cruciais e é
importante que aprendamos a distingui-las.
Quando
tentamos perscrutar as profundezas de Deus, somos facilmente confundidos.
Nenhum mortal pode compreender a Deus exaustivamente. A Bíblia revela coisas
sobre Deus que sabemos serem verdadeiras, a despeito da nossa capacidade de
entendê-las completamente. Não temos um ponto de referência humano para
entender, por exemplo, um ser que é três em termos de pessoa, mas um só em
essência ( a Trindade ), ou um ser que é uma pessoa com duas naturezas
distintas, humana e divina ( a pessoa de Cristo). Essas verdades, tão certas,
como são, são "elevadas" demais para podermos compreendê-las.
encontramos
problemas similares no mundo natural. Sabemos que a força da gravidade existe,
mas não a entendemos e nem tentamos defini-la como irracional ou contraditória.
A maioria das pessoas concorda que o movimento é uma parte integrante da
realidade, embora a essência do movimento em si tenha deixado filósofos e
cientistas perplexos por milênios. Há muito mistério sobre a realidade e muitas
coisas que não entendemos. Isso, porém, não justifica um salto absurdo. A
irracionalidade é fatal tanto para a religião como para a ciência. De fato, ela
é mortal para qualquer verdade.
O
filósofo cristão Gordon H. Clark certa vez definiu um paradoxo como "uma
caimbra entre as orelhas". Seu comentário espirituoso destina-se a
destacar que aquilo que às vezes é chamado de paradoxo freqüentemente nada mais
é do que preguiça mental. Clark, entretanto, reconhecia claramente o papel
legítimo e a função do paradoxo. A palavra paradoxo vem de uma raiz graga que
significa "parecer ou aparentar". Paradoxos são difíceis de entender
porque a primeira vista "parecem" contradições, mas quando são
sujeitos a um exame minucioso, freqüentemente pode-se encontrar as soluções.
Por exemplo, Jesus disse: Quem perda a vida por minha causa acha-la-á( Mt
10.39). Aparentemente, isso soa semelhante à declaração de que "Deus é uma
mão batendo palmas". Soa como uma contradição. O que Jesus queria dizer,
contudo, é que se alguém perde sua vida em um sentido, irá encontrá-la em outro
sentido. Já que a perda e a salvação têm sentidos diferentes, não há
contradições. Eu sou pai e filho ao mesmo tempo, mas obviamente não no mesmo
relacionamento com a mesma pessoa.
O
termo paradoxo é freqüentemente mal-interpretado como sendo sinônimo de
Contradição; agora, inclusive, aparece em alguns dicionários como um
significado secundário desse termo. Uma contradição é uma afirmação que viola a
lei clássica da não-contradição. A Lei da não-contradição declara que A não
pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Quer dizer, algo não
pode ser o que é e não ser o que é ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Essa é a
mais fundamental de todas as leis da lógica.
Ninguém
pode entender uma contradição, porque uma contradição é inerentemente
incompreensível. Nem mesmo Deus pode entender contradições; entretanto,
certamente ele pode reconhecê-las pelo que são - falsidades.
A
palavra contradição vem do Latim - "falar contra" -Às vezes é chamada
uma antinomia, que significa "contra a lei". Para Deus, falar em
contradições seria ser intelectualmente anormal, falar com língua bipartida.
Até mesmo insinuar que o autor da verdade poderia cair em contradição seria um
grande insulto e uma blasfêmia irresponsável. A contradição é a arma do
mentiroso - o pai da mentira, que despreza a verdade.
Existe
uma relação entre mistério e contradição, que facilmente nos leva a confundir
ambos. Não entendemos mistérios. Não podemos entender contradições. O ponto de
contato entre ambos os conceitos é seu caráter ininteligível.
Os
mistérios podem não ser claros para nós agora simplesmente porque nos falta a
informação ou a perspectiva para entendê-los. A Bíblia promete que no céu
teremos mais luz sobre os mistérios que agora não podemos entender. Mais luz
pode resolver os atuais mistérios. Não existe, entretanto, luz suficiente nem
no céu nem na Terra para resolver uma óbvia contradição.
Paradoxo
é uma contradição aparente que, quando examinada com mais cuidado, pode
apresentar uma solução.
Mistério
é algo desconhecido para nós no presente, mas que pode ser solucionado.
Contradição
é uma violação da Lei da não-contradição. É impossível ser resolvida, tanto
pelos mortais como pelo próprio Deus, tanto neste mundo como no mundo vindouro.
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Graça,
R.C. Sproul,
Vida Cristã
13 março, 2012
0 Escravos de sua própria carne – John MacArthur
Nós
ainda somos "de carne", e portanto nosso corpo físico se deteriora e
morre. O micróbio da morte habita em nós. Por causa da maldição do pecado,
começamos a morrer logo que nascemos.
Para
os cristãos, entretanto, há mais para esta vida terrena do que a morte:
"Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa
do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça" (Rm 8.10). Em
outras palavras, o corpo do homem está sujeito à morte (já está morrendo) por
causa do pecado, mas o espírito do crente está vivo em Cristo. A vida eterna é
a nossa possessão presente. Embora o corpo esteja morrendo, o espírito já está
dotado de incorruptibilidade.
Aqui
a palavra "corpo" se refere claramente ao corpo físico (não o
princípio da carne), e a expressão "morte" fala da morte física. (Ver
a discussão no Apêndice 1 sobre como Paulo frequentemente usa "carne"
e "corpo" para se referir à tendência pecaminosa nos cristãos).
Perceba que os versos 10 e 11 usam a palavra "corpo" (soma) em vez de
"carne" (sarx) — palavra que Paulo usou nos nove primeiros
versículos. Dessa maneira, ao contrastar "corpo" com
"espírito", ele não deixa dúvidas quanto ao seu significado. No versículo
10, o "espírito" é vida, refere-se ao espírito humano, à parte
espiritual do nosso ser. O corpo pode estar morrendo por causa do pecado, mas o
espírito do crente está totalmente vivo e progredindo por "causa da
justiça" — porque somos justificados e portanto já "passamos da morte
para a vida" (Jo 5.24). Aqui Paulo está simplesmente dizendo o que também
disse aos Coríntios: "Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que
o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova
de dia em dia" (2Co 4.16).
De
fato o Espírito que habita em nós também promete "vida para nosso corpo
mortal" numa ressurreição futura com o corpo glorificado (Rm 8.11).
O
que Paulo quer dizer é que o corpo, sem o Espírito de Deus, não tem futuro. Está
sujeito à morte. Portanto, não temos obrigação em relação ao lado mortal do
nosso ser: "Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se
constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne,
caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito, mortificardes os feitos do
corpo, certamente vivereis" (Rm 8.12, 13). Aqui Paulo usa a palavra sarx
("carne") no sentido de "princípio pecaminoso" — e a
compara com "os feitos do corpo". Se você vive de acordo com a carne
— se vive em resposta aos impulsos pecaminosos — você "deve morrer".
Paulo
está mais uma vez traçando os pontos de distinção, tão clara-mente quanto
possível, entre os cristãos e não-cristãos. De forma nenhuma ele está alertando
os crentes quanto ao perigo de perda da salvação se viverem segundo a carne.
Ele já mostrou que o verdadeiro cristão não vive e nem pode viver segundo o
princípio do pecado (vs. 4-9). Além disso, Paulo iniciou o capítulo 8 com a
afirmação "Agora, pois, j á nenhuma condenação há para os que estão em
Cristo Jesus" (8.1). Ele terminará o capítulo com a promessa de que nada
pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (vs. 38,39). Um
alerta sobre a possibilidade de queda contradiria o propósito da sua carta.
Paulo
simplesmente estava reiterando o que disse por diversas vezes em suas epístolas
no Novo Testamento — que aqueles que têm vida e coração totalmente carnais não
são verdadeiros cristãos. Eles já estão mortos espiritualmente (v. 6) e, a não
ser que se arrependam, estão condenados à morte eterna. Enquanto isso, a vida
deles na terra é um tipo de servidão horrorosa ao pecado. São escravos da sua
própria carne, constrangidos a suprir seus desejos sensuais.
01 dezembro, 2011
0 Velhas heresias não combatem novas heresias - Josemar Bessa
Há
poucos dias estava debatendo com pessoas que pensavam estar defendendo a
Verdade de Deus contra toda mentira que tem sido pregada em nossos dias, todo
misticismo sincrético do evangelho atual, toda ganância em nome de Deus... Mas
ao tentar defender a Verdade, estavam caindo em outra grande mentira. (Como se
levantar contra qualquer heresia se eu abrigar outras no meu coração?) Estavam
diminuindo a glória de Cristo. Não se combate o erro com outro erro. Não se
combate um mal com outro mal. Não se combate a mentira na igreja matando a
igreja ao invés de matar a mentira. Não podemos falar da humanidade de Jesus
diminuindo a sua Divindade. Isso não O aproximará mais do homem, mas sim o
afastará, já que Ele só se manifesta na Verdade. Isso não põe fim ao misticismo
vigente. O que faz isso?
Como
(Jesus) foi sempre tremendamente cuidadoso ao mostrar sua identificação conosco
em sua humanidade, mas sempre enfatizando sua posição única como Deus. Ao falar
em “meu Pai” e “vosso Pai”. Ele jamais diz “nosso Pai” – JAMAIS! Diz: “Meu Pai”
– Quando ensina seus discípulos e todos aqueles que através da história seriam
inseridos na igreja através do seu sacrifício a orar – ele ensina o “Pai Nosso”
– mas nunca se inclui entre eles e nós.
Ele
sempre se empenha ao máximo em ressaltar essa diferença que devia ser óbvia,
mas que pude perceber que mesmo hoje entre pessoas que querem defender a
Verdade, não é. Cristo sempre ressalta essa diferença – que Ele é o Filho do
Homem. É homem e, não obstante, NÃO É APENAS HOMEM (Mt 11.27; Jo 14.6).
Deliberadamente
ele se levanta, chocando sua geração, como Mestre possuidor de autoridade única
– “ouvistes que foi dito aos antigos... EU PORÉM VOS DIGO...” – Ele profere
esse “EU” como autoridade. Essa característica única dEle que o põe em contraste
com os profetas... Estes foram grandes personalidades usadas por Deus – Mas
nunca nenhum deles, nenhum sequer usou esse “EU”.
Como
os profetas começavam sua mensagem? “Assim diz o Senhor” – Jesus não, ele diz:
“EU vos digo”. Com isso Ele estabelece de uma vez por todas a DIFERENÇA radical
com todos os demais, porque mais que tenham sido canais da revelação divina.
Havia chegado e era a hora da “autoridade final” – Ele está dizendo. Deus falou
“de muitas maneiras pelos profetas...” – mas agora Ele nos falou em seu Filho.
Aí está o fim de toda “nova revelação” – Cristo era a exata expressão do Deus
Pai. Deus que o Pai se expressou no Filho, nada mais pode ser acrescentado.
Cristo
salienta isso em todo o Sermão do Monte, e quando chega a seu final Ele faz e
afirma as mais grandiosas e espantosas palavras já ditas na Terra: “Todo
aquele, pois, que ouve as minhas palavras e as pratica, será comparado a um
homem prudente, que edificou a sua casa na rocha...” – Como podemos ver
claramente toda a sua ÊNFASE está e é dada a “estas minhas palavras” – Ele se
arroga aí a AUTORIDADE FINAL. É quando colocamos Cristo no lugar que Ele
realmente ocupa que mostramos todo engano de novas revelações e misticismos,
sincretismos... Se ao combatermos esse mal nós tirarmos Cristo do lugar que só
ele ocupa, fazemos e trabalho do inimigo. A própria Pessoa de Cristo e a
autoridade do que ele diz põe abaixo toda nova revelação, misticismo,
sincretismo... tão comuns em nossos dias, não o oposto.
Cristo
se arroga a autoridade final. E se é possível acrescentar algo a esse
postulado, ELE o fez quando disse: “Passará o céu e a terra, porém as MINHAS
PALAVRAS não passarão”. Mais nada precisa ser dito. Não há nada que vá além
disso. Amém!!!
Soli Deo Gloria!!
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